A taxa de 0,57% que a Ton estampa no topo da sua página de planos vale por 30 dias ou até R$ 5 mil em vendas, o que vier primeiro. Depois disso, o lojista que fatura até R$ 3 mil por mês passa a pagar 1,69% no débito, quase o triplo. O MaquininhaReview verificou as tabelas oficiais das principais operadoras em julho de 2026 e encontrou um padrão: as fintechs de pagamento vendem a taxa de entrada, e a taxa cheia, que é a que o comerciante paga a partir do segundo mês, aparece em outro lugar da página ou não aparece.
A vitrine e o contrato
O levantamento comparou a taxa promocional divulgada em destaque com a taxa efetivamente cobrada após o período de entrada, sempre para bandeiras Visa e Mastercard.
| Operadora | Taxa de vitrine (débito) | Duração da promoção | Taxa cheia (débito) | Diferença |
|---|---|---|---|---|
| Ton | 0,57% | 30 dias ou até R$ 5 mil em vendas | 1,69% (até R$ 3 mil por mês) | 1,12 ponto percentual |
| SumUp | 0,80% | Primeiro mês | Não publicada | Não mensurável |
| InfinitePay | Não faz promoção de entrada | Não se aplica | 1,37% | Zero |
| Cielo | Não faz promoção de entrada no débito | Não se aplica | 1,19% (com aluguel de R$ 99,90) | Zero |
| Getnet | Não faz promoção de entrada | Não se aplica | 0,95% (com aluguel) ou 1,39% (sem) | Zero |
Ton: 0,57% por 30 dias, 1,69% depois
A página de planos e taxas da Ton informa que a promoção de 0,57% vale tanto para débito quanto para crédito à vista, por 30 dias ou até R$ 5 mil transacionados. Encerrada a promoção, o lojista entra na tabela progressiva. Quem fatura até R$ 3 mil por mês paga 1,69% no débito, 3,86% no crédito à vista e 20,39% no parcelado em 12 vezes. A Ton não cobra aluguel e oferece Pix gratuito com chave cadastrada.
A distância entre a taxa anunciada e a taxa cobrada é de 1,12 ponto percentual no débito. Em uma loja que vende R$ 3 mil por mês no débito, isso representa cerca de R$ 33,60 a mais por mês a partir do segundo mês, sem que nada tenha mudado na operação. Comparativos por volume estão em melhor maquininha para quem vende pouco.
A progressividade muda tudo conforme o volume
O modelo da Ton é progressivo: a taxa cai à medida que o faturamento sobe. Na faixa de R$ 3 mil a R$ 6 mil por mês, o débito cai para 1,39%. Acima de R$ 30 mil por mês, chega a 1,19%. Ou seja, a Ton só alcança patamar competitivo com Cielo e Getnet quando o lojista já movimenta volume alto.
| Faturamento mensal na Ton | Taxa de débito |
|---|---|
| Promoção de entrada (30 dias ou até R$ 5 mil) | 0,57% |
| Até R$ 3 mil | 1,69% |
| De R$ 3 mil a R$ 6 mil | 1,39% |
| Acima de R$ 30 mil | 1,19% |
A leitura correta da progressividade é a seguinte: o comerciante iniciante, justamente quem tem menos margem, paga a taxa mais cara da tabela. O desconto chega para quem já vende bem. Quem fatura alto encontra o comparativo específico em melhor maquininha para quem fatura alto.
SumUp anuncia 0,80% e não publica a cheia
A SumUp divulga taxa promocional de 0,80% no débito e 2,85% no crédito no primeiro mês. Encerrado esse período, a empresa informa que ajusta a taxa conforme o faturamento do estabelecimento, sem publicar os valores da tabela cheia. Na prática, o lojista assina sem saber quanto vai pagar no segundo mês. O MaquininhaReview não conseguiu apurar a taxa padrão da SumUp em página pública em julho de 2026.
A opacidade não é exclusividade da SumUp. A Stone divulga apenas o piso, 0,74% no débito e 2,99% no crédito, sempre sob o rótulo "a partir de", com taxa final definida em negociação e atendimento restrito a CNPJ, oferecendo recebimento em D+0. A Rede não publica tabela e também trabalha com taxa negociada, com conta PJ sem tarifa acima de R$ 20 mil por mês. Nos três casos, a comparação prévia é impossível.
Quem publica direto a taxa cheia
Duas operadoras do levantamento não usam promoção de entrada no débito e publicam a taxa que será cobrada desde o primeiro dia. A InfinitePay informa 1,37% no débito, 3,15% no crédito à vista e 12,40% no parcelado em 12 vezes, na faixa padrão de até R$ 20 mil por mês, sem mensalidade e com recebimento em D+1. A maquininha física da InfinitePay é oferecida apenas para CNPJ, condição detalhada em melhor maquininha para CNPJ.
A Cielo publica 1,19% no débito, 3,45% no crédito e 14,79% em 12 vezes no Plano Aluguel, com mensalidade de R$ 99,90 e isenção acima de R$ 15 mil por mês de faturamento, conforme o texto da própria página da operadora. A Cielo oferece ainda Pix sem custo por 30 dias e 0,99% depois, e recebimento em D+1. Para CPF, a alternativa é o Comodato, com 1,90% no débito. A ficha completa está em Cielo.
A Getnet publica 0,95% no débito no Plano Aluguel, com aparelhos de R$ 14,90 a R$ 129,90 por mês, e 1,39% no Plano Adesão, sem mensalidade. O PagBank publica 1,44% no débito no plano Super Max, mas condiciona a taxa a vender mais de R$ 2 mil por mês; sem atingir o mínimo, o lojista cai no Essencial, com 2,39% no débito e 4,99% no crédito. É outro caso em que a taxa de vitrine depende de uma condição que nem todo comerciante cumpre. Perfis de baixo volume estão cobertos em melhor maquininha para MEI.
Como comparar sem cair na vitrine
A regra prática que emerge do levantamento tem três passos. Primeiro, ignorar o número em destaque e procurar a tabela por faixa de faturamento. Segundo, localizar a própria faixa de vendas mensais e ler a taxa correspondente, não a menor da tabela. Terceiro, somar mensalidade e aluguel de aparelho ao custo da taxa, porque uma taxa menor com custo fixo pode sair mais cara para quem vende pouco.
O contexto de mercado ajuda a entender por que a promoção funciona. Dados da ABECS indicam que cinco adquirentes concentram cerca de 96% do volume transacionado no país, que os cartões movimentaram R$ 4,3 trilhões em 2025 e que a aproximação já responde por 73,6% das compras presenciais. Em um mercado concentrado, a disputa pelo pequeno lojista se dá na aquisição, e a promoção de 30 dias é a ferramenta de aquisição. O Sebrae aponta que quem negocia a taxa paga cerca de 0,4 ponto percentual a menos, o que reforça que o número da vitrine raramente é o número final.
Metodologia
Os dados deste levantamento foram verificados pelo MaquininhaReview diretamente nas páginas oficiais de tarifas de Ton, SumUp, InfinitePay, Cielo, Getnet, PagBank, Stone e Rede em julho de 2026. As taxas consideram bandeiras Visa e Mastercard e podem variar conforme bandeira, segmento, negociação e faturamento do estabelecimento. O acompanhamento atualizado está em taxas de maquininhas. Os critérios editoriais estão descritos na política de transparência.