A menor taxa de débito publicada no Brasil em julho de 2026 é da Getnet, 0,95% por transação, e ela só existe dentro de um plano que cobra aluguel mensal da maquininha. O MaquininhaReview levantou as tabelas oficiais de oito operadoras de pagamento e comparou as condições de débito para vendas no Visa e Mastercard. O resultado é um trade-off simples de descrever e caro de errar: as taxas mais baixas do mercado vêm acompanhadas de custo fixo, e as opções sem mensalidade começam a partir de 1,37%.
O que o levantamento encontrou
A coleta foi feita nas páginas públicas de tarifas de cada operadora em julho de 2026. Foram consideradas apenas as taxas de débito de bandeiras Visa e Mastercard, no plano de entrada informado por cada empresa para lojistas de pequeno e médio porte.
| Operadora | Plano | Taxa de débito | Custo fixo mensal | Prazo de recebimento |
|---|---|---|---|---|
| Getnet | Aluguel (até R$ 20 mil) | 0,95% | R$ 14,90 (Get Mini) a R$ 129,90 (Smart) | D+2 |
| Cielo | Aluguel (CNPJ) | 1,19% | R$ 99,90, grátis acima de R$ 15 mil por mês | D+1 |
| InfinitePay | Padrão (até R$ 20 mil) | 1,37% | Não há | D+1 |
| Getnet | Adesão (sem aluguel) | 1,39% | Não há | D+2 |
| PagBank | Super Max | 1,44% | Não há, mas exige vender mais de R$ 2 mil por mês | Conforme plano |
| Ton | Progressivo, até R$ 3 mil por mês | 1,69% | Não há | Conforme plano |
| Cielo | Comodato (aceita CPF) | 1,90% | Não há | D+1 |
| SumUp | Padrão | Não publicada | Não há | Conforme plano |
| Stone | Negociado | A partir de 0,74% | Negociado | D+0 |
| Rede | Negociado | Não publicada | Negociado | Conforme plano |
Quem tem a menor taxa cobra aluguel
A Getnet publica 0,95% no débito dentro do Plano Aluguel, válido para faturamento de até R$ 20 mil por mês. O aluguel varia conforme o aparelho escolhido: R$ 14,90 para a Get Mini, R$ 79,90 para a Clássica e R$ 129,90 para a Smart. A mesma Getnet oferece o Plano Adesão, sem aluguel, com débito a 1,39%. A diferença entre os dois planos da própria operadora é de 0,44 ponto percentual no débito.
A Cielo publica 1,19% no débito no Plano Aluguel, restrito a CNPJ, com mensalidade de R$ 99,90. O site da Cielo informa que o aluguel é grátis acima de R$ 15 mil por mês de faturamento. Para quem só tem CPF, a alternativa da Cielo é o Comodato, com débito a 1,90%, taxa que fica acima de todas as opções sem mensalidade do levantamento. Mais detalhes de planos estão na página da Cielo.
Entre as sem aluguel, a InfinitePay lidera
A InfinitePay publica 1,37% no débito na faixa padrão, para faturamento de até R$ 20 mil por mês, sem mensalidade e com recebimento em D+1. A maquininha física da InfinitePay é oferecida apenas para CNPJ. Logo atrás vêm o Plano Adesão da Getnet (1,39%) e o PagBank no Super Max (1,44%), este último condicionado a vender mais de R$ 2 mil por mês. Sem atingir esse mínimo, o lojista do PagBank cai no plano Essencial, com débito a 2,39%. Quem vende pouco encontra um comparativo específico em melhor maquininha para quem vende pouco.
O ponto de virada fica perto de R$ 2 mil por mês
A conta que decide entre aluguel e taxa cheia é aritmética. A diferença entre o débito da Getnet no Plano Aluguel (0,95%) e o da InfinitePay (1,37%) é de 0,42 ponto percentual. Usando o aparelho mais barato da Getnet, a Get Mini, a R$ 14,90 por mês, o aluguel só se paga quando a economia na taxa supera o custo fixo. Dividindo R$ 14,90 pela diferença entre 0,95% e o Plano Adesão da própria Getnet, 0,44 ponto percentual, chega-se a cerca de R$ 3.386 de débito mensal. Contra o piso do mercado sem mensalidade, considerando 0,74 ponto percentual de diferença em relação a taxas mais altas de entrada, o ponto de equilíbrio cai para cerca de R$ 2.013 por mês em vendas no débito.
Na prática, quanto maior o volume de débito, mais o aluguel compensa, porque o custo fixo se dilui. Abaixo de R$ 2 mil por mês em débito, o lojista tende a pagar mais no plano com mensalidade do que economiza na taxa. Comparativos por perfil estão em melhor maquininha para MEI e em melhor maquininha para quem fatura alto.
Transparência virou critério de escolha
Três operadoras do levantamento não permitem a comparação direta. A SumUp divulga uma promoção de 0,80% no débito no primeiro mês e informa que ajusta a taxa conforme o faturamento, sem publicar o valor cheio. A Stone divulga apenas o piso, 0,74% no débito e 2,99% no crédito, sob o rótulo "a partir de", com taxa final negociada e atendimento restrito a CNPJ, oferecendo em contrapartida recebimento em D+0. A Rede também não publica tabela e trabalha com taxa negociada, com conta PJ sem tarifa acima de R$ 20 mil por mês.
Para o lojista que não tem poder de barganha, a taxa negociada é uma incógnita até a assinatura do contrato. Publicar a tabela é, hoje, um diferencial competitivo mensurável. O Sebrae aponta que quem negocia a taxa paga cerca de 0,4 ponto percentual a menos, o que reforça a assimetria: o pequeno comerciante que aceita a primeira proposta paga mais que o vizinho que discutiu números.
O contexto de concentração explica a assimetria
Segundo a ABECS, cinco adquirentes concentram cerca de 96% do volume total de transações do país em 2026, e os cartões movimentaram R$ 4,3 trilhões em 2025. A aproximação já responde por 73,6% das compras presenciais, o que empurra o débito por aproximação para o centro do custo operacional do varejo. A Getnet publica ainda uma condição específica de Get Tap, 0,99% no débito e 2,98% no crédito, para pagamento por aproximação direto no celular.
Com o débito representando parcela relevante do faturamento presencial, uma diferença de meio ponto percentual em uma loja que vende R$ 30 mil por mês significa R$ 150 mensais. É o tipo de valor que justifica ler a tabela antes de escolher, e não depois.
Metodologia
Os dados deste comparativo foram verificados pelo MaquininhaReview diretamente nas páginas oficiais de tarifas de Getnet, Cielo, Ton, InfinitePay, PagBank, SumUp, Stone e Rede em julho de 2026. As taxas consideram bandeiras Visa e Mastercard e podem variar conforme bandeira, segmento, negociação e faturamento do estabelecimento. O acompanhamento atualizado está em taxas de maquininhas. Os critérios editoriais e a ausência de influência comercial sobre a apuração estão descritos na política de transparência. Comparativos por tipo de documento estão em melhor maquininha para CNPJ.