Transparência de taxa: quais maquininhas mostram quanto cobram

Rafael Nogueira Por Rafael Nogueira · Analista de meios de pagamento ·Atualizado

Só parte das maquininhas mostra quanto cobra antes de o lojista assinar o contrato. O MaquininhaReview levantou as páginas oficiais de tarifas de nove operadoras de pagamento em julho de 2026 e comparou o quanto cada uma revela antes da contratação. O resultado divide o mercado em três grupos: quem publica a tabela completa, quem publica apenas o preço de entrada ou de promoção, e quem só opera com taxa negociada caso a caso, sem tabela pública.

O que o levantamento verificou

A coleta foi feita diretamente nas páginas públicas de cada operadora em julho de 2026. O critério foi objetivo: a empresa divulga a taxa cheia de débito e crédito antes da contratação, divulga apenas uma promoção ou faixa parcial, ou não divulga nenhuma taxa e trabalha só com negociação. A transparência de preço deveria ser o primeiro filtro de quem escolhe uma maquininha, porque sem ela não há como comparar custo real.

OperadoraPublica a taxa cheia?O que mostra na página oficial
GetnetSimTabela completa: 0,95% déb, 3,15% créd, 16,85% em 12x no Plano Aluguel
CieloSimTabela completa: 1,19% déb, 3,45% créd, 14,79% em 12x no Plano Aluguel
TonSimTaxa progressiva por faturamento: de 1,69% a 1,19% no débito
InfinitePaySimFaixa padrão até R$ 20 mil: 1,37% déb, 3,15% créd, 12,40% em 12x
PagBankSimPlano Super Max: 1,44% déb, 3,49% créd, com mínimo de venda
Mercado PagoSimFaixa até R$ 3 mil: 1,99% déb, 4,98% créd, Pix a 0,49%
SumUpSó promoPromoção de 0,80% déb e 2,85% créd no primeiro mês, sem publicar a taxa cheia
StoneNegociadaSó o piso: a partir de 0,74% déb e 2,99% créd, valor final negociado
RedeNegociadaNão publica tabela, taxa definida caso a caso

Quem publica a tabela completa

Cielo e Getnet publicam a tabela mais completa do levantamento, com débito, crédito à vista e crédito em doze parcelas dentro de cada plano. A Getnet mostra 0,95% no débito, 3,15% no crédito à vista e 16,85% em doze vezes no Plano Aluguel, válido para faturamento de até R$ 20 mil por mês, com aluguel que varia de R$ 14,90 na Get Mini a R$ 129,90 na Smart. A Cielo publica 1,19% no débito, 3,45% no crédito e 14,79% em doze vezes no Plano Aluguel, com mensalidade de R$ 99,90 dispensada acima de R$ 15 mil por mês. Os planos completos da Cielo estão detalhados na página da Cielo.

Quem publica preço, mas por faixa ou plano

Ton, InfinitePay, PagBank e Mercado Pago também divulgam preço, ainda que de forma condicionada. A Ton publica uma taxa progressiva por faturamento, sem aluguel, que começa em 1,69% no débito para quem fatura até R$ 3 mil por mês e cai até 1,19% acima de R$ 30 mil. A InfinitePay mostra uma faixa padrão de 1,37% no débito e 3,15% no crédito para faturamento de até R$ 20 mil, sem mensalidade. O PagBank publica 1,44% no débito no plano Super Max, mas o número só vale para quem vende mais de R$ 2 mil por mês; abaixo disso, o lojista cai no plano Essencial, com débito a 2,39%. O Mercado Pago mostra 1,99% no débito na faixa até R$ 3 mil, com Pix a 0,49%. Em todos esses casos, o preço aparece, mas o lojista precisa ler as condições para saber qual faixa se aplica ao seu volume. Comparativos por perfil estão em melhor maquininha para quem vende pouco e em melhor maquininha para MEI.

Quem mostra só a promoção ou nada

A SumUp divulga apenas uma promoção de 0,80% no débito e 2,85% no crédito no primeiro mês e informa que ajusta a taxa cheia conforme o faturamento, sem publicar esse valor. Na prática, o lojista da SumUp só descobre quanto vai pagar depois que a promoção termina. Stone e Rede formam o grupo que não publica tabela. A Stone divulga apenas um piso, a partir de 0,74% no débito e 2,99% no crédito, com o rótulo "a partir de" e taxa final negociada. A Rede não publica nenhuma taxa e define o valor caso a caso. Para quem não tem poder de barganha, a taxa negociada é uma incógnita até a assinatura.

Por que a transparência deveria ser o primeiro critério

O Sebrae aponta que quem negocia a taxa paga cerca de 0,4 ponto percentual a menos. Isso cria uma assimetria: o pequeno comerciante que aceita a primeira proposta de uma operadora sem tabela pública tende a pagar mais que o vizinho que discutiu números. Quando metade do mercado esconde ou condiciona o preço, comparar custo real fica mais difícil justamente para quem tem menos margem. Segundo a ABECS, cinco adquirentes concentram cerca de 96% do volume total de transações do país, os cartões movimentaram R$ 4,3 trilhões em 2025 e a aproximação já responde por 73,6% das compras presenciais. Nesse cenário, publicar a tabela deixou de ser cortesia e virou um diferencial competitivo mensurável. O acompanhamento por operadora está em taxas de maquininhas.

Metodologia

Os dados deste comparativo foram verificados pelo MaquininhaReview diretamente nas páginas oficiais de Getnet, Cielo, Ton, InfinitePay, PagBank, Mercado Pago, SumUp, Stone e Rede em julho de 2026. As taxas consideram bandeiras Visa e Mastercard e podem variar conforme bandeira, segmento, negociação e faturamento do estabelecimento. O acompanhamento atualizado está em taxas de maquininhas. Os critérios editoriais e a ausência de influência comercial sobre a apuração estão descritos na política de transparência. Comparativos por tipo de documento estão em melhor maquininha para CNPJ.

Rafael Nogueira
Analista de meios de pagamento

Acompanha o setor de pagamentos e adquirência há mais de 8 anos, a partir de dados oficiais (ABECS e Banco Central).

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